Pedaço de Despedida
08 ago 2011 1 Comentário
em Devaneios
Acordei cedo, abri a cortina. Chovia. Fitei os olhos no horizonte, queria sol para o dia da partida. Desejei o sol. Percorri toda a casa com o olhar caido. O som ecoava com mais facilidade, a casa estava vazia, o banheiro meio abandonado, as prateleiras da cozinha igualmente vazias. Havia uma coisa ou outra de Chico num caixote de madeira, algumas roupas penduradas pela sala e um cheiro de poeira, que mais parecia com cheiro de chegada do que de partida. Enquanto andava por aqueles metros quadrados lembrei dos poucos meses que vivi por ali. Uma gota de lágrima ameaçou cair dos meus olhos. Engolí seco. A campainha tocou, era Laís. Fiz questão de almoçar fora neste dia. Comemos num restaurante tradicional do bairro, bebemos cerveja, brindamos a nova vida. Depois do binde e de alguns goles de cerveja, lembrei que o remédio que tomara me impedia de beber. Ah…já era tarde. E mais: uns dois copinhos de cerveja naquela altura do campeonato já não faria diferença alguma. Quando retornamos para casa tudo já estava pronto para a partida. Foi rápido. Num piscar de olhos a sala foi esvaziada, o quarto, que já era grande, ficou ainda maior. Dei uma última olhada no mar através da janela. Já fazia sol. Caminhei mais uma vez pela casa, fui no segundo quarto e lá os encontrei deitados na cama, a conversar. Eu precisava me despedir. Naquele momento eu não conseguiria engolir a lágrima que havia engolido durante toda a manhã. No momento do abraço, fui tomada por um polvo de quatros braços e quatro pernas chamado carinho. Eles me esmagavam na cama, me enchiam de beijos e a cama virou um mar. Fizemos menção aos momentos felizes que vivemos alí. Estávamos tomados pelo sentimento confuso de quem precisa recomeçar. Preferi ser breve. Parti. Fui levando em meu colo a pimenteira da sala. Sai sem olhar para trás e quando menos esperei, o sol caiu e o dia acabou. No lugar de destino: abraços, sorrisos, mais carinhos. Subi as escadas com dificuldade e fui direto para a sala do porta sonhos. Olhei firme para os “sonhos” que estavam lá dentro, guardados, lembrei da primeira vez que estive ali e pensei que parte dos meus grandes sonhos estão por se realizar. Respeirei fundo. Me tranquilizei. Foi assim o dia em que vi o último pôr do sol do meu primeiro lar.
PS: Do dia em que me mudei do AP 45, no Lurdinha, para a Casa do Porta Sonhos, no Santo Antônio. Na foto, o último pôr do sol.

ago 18, 2011 @ 11:33:53
May,
Bjs os pedaçõs ficam para trás mas é certo que levemos no coração um pedaço dos pedaços e das lembranças que ficam…Experiência.
Bjs e felicidade nesse novos rumos e que venham outros mudar é sempre muito bom.